Projeto/Laboratório de Gestão de Tendências e da Cultura

A Cultura é uma Profissão!  O espaço para o Pensamento crítico, divergente e criativo. Nós interpretamos representações, práticas e mitos.

“A cultura é uma profissão”. Este é o mote lançado pelas Professoras Teresa Malafaia e Alcinda Pinheiro que guiou o espírito da Gestão Cultural no âmbito da área de Cultura e Comunicação da faculdade. O Laboratório de Gestão de Tendências e da Cultura é um projeto que abraça este pressuposto, num cruzamento entre investigação e ação que sublinha a importância de articular as várias atividades de formação (seminários de pós-graduação, workshops e formação laboratorial), de investigação e de transferência de conhecimento para a sociedade. O objetivo consiste em desenvolver investigação sólida no âmbito da análise das dinâmicas socioculturais e dos seus fenómenos, especialmente ao nível urbano, com vista à geração de orientações estratégicas que podem ser aplicadas em diversas instituições culturais, políticas, empresariais e artísticas.

Herdamos a experiência e o conhecimento desenvolvidos no Projeto “Culturas Criativas: Cidades, Tendências, Estratégias”. Com base nisto, as atividades de investigação e investigação-ação terão em atenção os territórios urbanos, de modo a compreender a emergência de culturas criativas e a permitir a análise das representações e práticas de vários grupos sociais, incluindo subculturas e tribos urbanas. O mundo Anglo-Americano apresenta-se com um conjunto de benchmarks e com importantes contributos teórico-práticos a considerar ao nível dos objetos e espaços de estudo, bem como das abordagens a desenvolver. Pretende-se assim desdobrar o Laboratório em três atividades específicas que se articulam em profundidade: na investigação académica aplicada que se materializa num Projeto de Investigação em Gestão de Tendências e da Cultura; na prática Laboratorial que possibilita uma ponte com a sociedade e a tranferência de conhecimento, em especial com a cidade de Lisboa; na Formação Especializada que terá lugar em cursos de formação executiva, bem como em seminários especializados ao nível pós-graduado.

Para compreender as mudanças nas mentalidades e nas dinâmicas/comportamentos socioculturais, identificando caminhos possíveis sobre a evolução societal.
» Promover investigação e inovação no campo dos Estudos de Cultura (considerando os principais contributos Anglo-Americanos), refletindo sobre os seus papéis e potencialidades num mundo em rápida e constante mudança.

» Promover investigação conceptual e aplicada ao nível da análise estratégica da cultura.

» Desenvolver uma rede internacional de agentes académicos e institucionais interessados no estudo de tendências socioculturais e na análise cultural.

» Formar investigadores e agentes ativos na sociedade que possam agir tanto na academia como em empresas ao nível da análise/gestão cultural estratégica.

» Articular um exercício académico de análise de tendências socioculturais com os Estudos de Cultura.

» Transferir conhecimento para a sociedade, em especial no âmbito da cidade de Lisboa.

» Abordar a análise cultural como um conjunto de métodos, das Humanidades às Ciências Sociais, com potenciais resultados estratégicos para áreas como a gestão, o marketing, a comunicação estratégica, a política local, a produção e programação culturais, entre outros.

» Abordar benchmarks criativos e propostas teórico-práticas no âmbito do contexto Anglo-Americano que possam ser transferidos e/ou analisados, contribuindo para as abordagens deste projeto.

Este projeto tem as suas raízes na FLUL com a criação em 2012 da Pós-graduação de Especialização em Comunicação de Tendências, um projeto inovador a nível nacional e internacional. A consequente investigação nos Estudos de Tendências abriu portas para a criação de uma nova Pós-Graduação em Indústrias e Culturas Criativas (2016) e de um Projeto de Investigação que iria providenciar o primeiro teste conceptual-metodológico.

» As Pós-graduações no âmbito dos Estudos de Tendências foram o espaço para o teste de conceitos e práticas de investigação, confirmando a associação da abordagem à análise cultural e providenciando o espaço inicial de formação para o que seriam futuras investigações de mestrado e de doutoramento.

» A Pós-Graduação na área das Culturas Criativas testou práticas de imersão urbana em Lisboa, refinando conceitos e métodos e criando associações plurais entre práticas etnográficas e práticas de inspiração artística em âmbito urbano.

» O Projeto “Culturas Criativas: Cidades, Tendências, Estratégias”, em parceria com a FBAUL e a ESCS-IPL, permitiu explorar articulações no âmbito do estudo de tendências socioculturais em espaço urbano e da análise cultural, fomentando experimentações ao nível de práticas de inspiração artística e etnográfica.

1ª Fase:

» Análise de Tendências Socioculturais. Ativamos o processo de investigação que permite identificar e mapear tendências socioculturais, bem como seguir e estudar tendências já confirmadas.

» Análise continuada do ADN Cultural e Criativo de Lisboa, identificando as principais narrativas, dinâmicas e processos socioculturais e criativos a atuar na cidade.

» Identificação e análise de tribos urbanas e de grupos segmentados mediante uma análise estruturada de estilos de vida.

// Estas análises dão origem a: relatórios macro de tendências socioculturais; relatórios sectoriais na óptica de tendências socioculturais; relatórios de tendências e dinâmicas socioculturais e criativas em âmbito urbano; relatórios sobre o perfil identitário e de comportamento de tribos urbanas e sobre segmentação de estilos de vida.

 

2ª Fase:

» Branding Cultural e Tribal. Partindo das bases de Cova e Cova (2002), de Douglas Holt (2004) e de Grant MacCracken (2009), entre outros, propomos que o laboratório desenvolva atividades ao nível estratégico com instituições específicas para delinear estratégias e soluções para problemas identificados, usando a análise cultural e de tendências socioculturais, bem como a identificação de tribos urbanas e de estilos de vida. Isto com uma base conceptual-metodológica para a pesquisa aplicada.

// Estes exercícios/análises dão origem a: relatórios ao nível estratégico, para a geração de insights que apoiem a inovação e uma melhor relação com os vários públicos.

O Laboratório é, primeiro que tudo, um espaço de investigação no âmbito das Humanidades, das Ciências Sociais e das Artes.

Associado a um projeto de investigação, o seu primeiro objetivo consiste em contribuir para o desenvolvimento de conceitos e de metodologias no âmbito dos Estudos de Cultura, desenvolvendo específicamente uma abordagem de Investigação-Ação.

Pretende-se que os resultados dos projetos e da investigação possam dar lugar a trabalhos de divulgação científica, de artigos científicos a relatórios de investigação.

// A investigação aborda métodos, práticas e metodologias associados à Análise Textual; aos Estudos de Recepção; à Etnografia; a Práticas de Imersão Urbana com inspiração artística.

Coordenação: Nelson Pinheiro Gomes

Associados: Suzana Cohen; William Afonso Cantú; Suzana Monteiro Leonardi.

Colaboradores: Sarita Oliveira; Ana Marta Flores; Clarissa M. A. Lopes; Illa Branco; Raquel Sodré.

 

A equipa que gere o Projeto/Lab é composta por Docentes e Investigadores associados ao Programa em Cultura e Comunicação e ao Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa. Colaboram também, pontualmente, investigadores/docentes de outros centros de investigação e entidades da FLUL e de outras Universidades no estrangeiro.

A par dos investigadores/docentes, participam também estudantes de mestrado e de doutoramento. Em ambos os casos: (1) participam curricularmente ao nível de unidades curriculares dos cursos de Cultura e Comunicação associadas ao Projeto, desenvolvendo atividades e trabalhos de pesquisa conceptual e aplicada ao nível da identificação e análise de tendências socioculturais, da análise do impacto destas últimas em sectores de atividades específicos, da identificação e análise de tribos urbanas e de públicos segmentados ao nível de estilos de vida; (2)  demonstrando interesse em participar de forma integrada no Projeto, apoiando as atividades descritas atrás e desenvolvendo investigação estratégica para instituições específicas.  A participação no Laboratório de Gestão de Tendências e da Cultura está aberta a todos os estudantes da área de Cultura e Comunicação.

Unidades Gestoras do Projeto:

Programa em Cultura e Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa.

Entidades Parceiras:

American Corner (FLUL); Centro de Estudos Clássicos (FLUL).

 

“Este é um espaço de experimentação da teoria e dos métodos abordados na investigação. O Laboratório colabora com entidades para testar práticas de análise de tendências e da cultura, desenvolvendo projetos específicos com impacto social.”

O Laboratório de Gestão de Tendências e da Cultura está inserido no Programa em Cultura e Comunicação da FLUL, em articulação próxima com o American Corner @FLUL e o CEAUL. Ele funciona como um braço operacional da investigação. Os vários projetos podem ter uma componente social, empresarial ou artística, apresentando orientações estratégicas cujo processo pode gerar dados para alimentar a investigação científica.

Os principais objetivos consistem em atuar como um observatório de tendências socioculturais; e desenvolver projetos aplicados de gestão estratégica da cultura.

O laboratório agrega estudantes de Doutoramento e de Mestrado, estando também aberto a finalistas de Licenciatura, associados à área de Cultura e Comunicação. Assim, podem articular a sua formação com a experimentação empírica do quadro conceptual-metodológico que estudam.

Para as instituições, e em particular a cidade de Lisboa, este é o espaço para a transferência de conhecimento e a colaboração com empresas, associações, e outras entidades.

“Em ligação com o Programa em Cultura e Comunicação, este projeto articula investigadores e docentes doutorados com doutorandos e mestrandos numa troca de conhecimento e de experiências.”

A componente de investigação está inserida no CEAUL – Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa e no Programa em Cultura e Comunicação da FLUL.  O objetivo consiste em desenvolver os modelos conceptuais e metodológicos para desenvolver a pesquisa e analisar os resultados que saem do Laboratório e da Formação Especializada, traduzindo os dados ao nível de artigos científicos e de comunicações em congressos. Este é o braço da investigação no âmbito das Humanidades e das Ciências Sociais que produz o conhecimento científico e que apresenta os resultados aos pares académicos.

“Este conjunto de formações apresenta-se como uma formação especializada ao nível académico e vocacional, que se articula tanto em cursos executivos/livres como em formação magistral e doutoral.”

 

Doutoramento 

No âmbito dos seminários de Leituras Orientadas e de Inserção em Projeto de Investigação, os estudantes do Doutoramento em Estudos de Cultura inseridos na Linha Temática de Gestão de Tendências e da Cultura trabalham em articulação próxima com o Laboratório. A formação doutoral na linha permite uma imersão plena do doutorando nas atividades de pesquisa, de publicação científica e de construção conceptual-metodológica. A par disto, as atividades do Laboratório exigem do doutorando um trabalho de experimentação e de projeto aplicado contínuo, capacitando-o para o trabalho científico e para a via vocacional.

 

Mestrado  

No âmbito dos seminários de Análise Aplicada de Tendências Socioculturais e de Gestão da Cultura, os estudantes do Mestrado em Cultura e Cultura e Comunicação são integrados nas atividades de investigação aplicada em curso.

 

Cursos Livres/Executivos

A formação livre e executiva no âmbito da Gestão de Tendências e da Cultura materializa-se nos seguintes cursos:

i) Laboratório de Gestão da Cultura: Projetos Criativos em Espaço Urbano [proposta em discussão]. Com a marca Beyond Creative (já a apoiar a formação de estudantes desde 2016), este curso dinamizado pelo American Corner @FLUL, pelo CEAUL, pelo CEC e pela ADFLUL, em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, é um espaço para o desenvolvimento de projetos e para a formação vocacional de estudantes de Humanidades, Artes e Ciências Sociais no âmbito do desenvolvimento de práticas de análise cultural, de projetos e de abordagens criativas.

[EM CONSTRUÇÃO]   Os Estudos de Tendências são uma abordagem que articula conceitos e métodos para a análise da cultura, no âmbito daquilo que é normalmente designado como Estudos de Cultura.

Este conjunto de conceitos e de práticas tem tido um caminho plural, desde as suas múltiplas raízes noutros campos de estudo como a Prospectiva e o Foresight ou o Estudo do Futuro, a Econometria, a Pesquisa Etnográfica, a Teoria da Moda, entre outros. A sua força e o seu nascimento surgem num contexto de negócios e num ambiente de indústrias criativas. As consultoras e os agentes de estudos de mercado começam por abordar e explorar o coolhunting até surgir a grande necessidade de contextualizar os conceitos e os métodos no âmbito de um processo científico e de uma metodologia sólida e replicável. Aqui, estamos focados na ciência e no papel dos Estudos de Tendências dentro da academia.

Esta nova abordagem multidisciplinar procura mapear mentalidade e tendências socioculturais que se manifestam em padrões de comportamento e em objectos, sejam artefactos, práticas ou representações. Tal como Nelson Gomes, Suzana Cohen e Ana Marta Flores contextualizam, “de um modo mais específico, Henrik Vejlgaard (2008) expõe três perspectivas para o vocábulo (tendências). Em revistas populares, por exemplo, o autor identifica o uso como sinônimo de notícias sobre novos produtos; também aponta que um(a) designer pode se referir às tendências na indústria automóvel, sendo que, neste caso, a tendência significa desenvolvimento de produtos. Por último, ele traz a visão de um sociólogo de tendências, que irá tratar sobre o movimento desta tendência, partindo dos seus promotores (trendsetters) em direção à maioria (mainstream) (VEJLGAARD, 2008, p.08-09); com isso, Vejlgaard (2008), trata a tendência como um processo de mudança. Para o autor, as três concepções citadas estão interconectadas, ao referir que uma tendência é um processo de mudança que, por vezes, ocorre motivado pelo desenvolvimento de um produto e que, ocasionalmente, resultará em outros e novos produtos (VEJLGAARD, 2008, p. 08). Els Dragt apresenta uma definição de tendência, em linha com a proposta de Henrik Vejlgaard, ao sugerir que uma tendência é uma direção de mudança em valores e necessidades que tem lugar através de forças e que se manifesta de várias formas em certos grupos sociais (DRAGT, 2017, p.14). A autora sugere ainda que os elementos-chave para a definição de uma tendência passam por compreender a direção da mudança; os valores e as necessidades associados a essa mudança; as forças que afetam a tendência; as manifestações que podem ser observadas; a identificação dos grupos onde a tendência nasce e se desenvolve (DRAGT, 2017, pp.36-37)” [7].

Existem várias perspectivas que procuram abordar o estudo de tendências. Nós propomos uma metodologia que articula práticas interpretativas no âmbito dos Estudos de Cultura, que gera uma matriz analítica com métodos semióticos, de análise de conteúdo, de práticas de inspiração etnográfica e sociológica, entre outros inseridos nas Humanidades e nos Estudos Sociais. Isto proporciona os meios para uma leitura crítica e para recolher/analisar dados dentro de dinâmicas sociais complexas. O Marketing e a Teoria da Cultura de Consumo providenciam uma base interessante para a contextualização e aplicação da informação, em ligação com disciplinas como o Design.

O objetivo passa por compreender como os paradigmas do nosso momento se alteram e produzem mudanças nas mentalidades; novos padrões de comportamento; e visões sobre o gosto.

Compreender estas novas mentalidades e como impactam atitudes e se traduzem em sementes, ou sinais, de mudança e de inovação é uma base para o desenvolvimento estratégias, de políticas e de acções.

Nos últimos três anos, várias escolas envolvidas no estudo de tendências socioculturais têm promovido uma convergência de perspetivas sobre os Estudos de Tendências, articulando os seus conceitos operacionais e processos de investigação. A própria definição de tendência é agora alvo de um entendimento mais sólido que tem a “mudança” como palavra-chave. Uma mudança no tecido sociocultural que pode indicar potenciais inovações ou respostas a problemas sociais. Ao entender as tendências como mentalidades, associadas a valores e crenças, que provocam mudanças nos padrões de comportamento e que podem ser estudadas através da identificação de sinais com o “gene cool”, entre outras práticas, permitiu criar uma base para o diálogo. Apesar de controverso, o conceito de Cool conforme entendido por Carl Rohde, entre outros autores, e uma perspectiva macro sobre o estudo de tendências e da cultura facilitou uma grande proximidade conceptual entre Portugal e os Países Baixos. Se bem que alguns profissionais e especialistas no nosso país operam com base em raízes conceptuais de outros países como a Itália.

Neste sentido, importa sublinhar que não estamos a falar de uma abordagem unificada. As raízes do nosso entendimento podem ser encontradas nos Países Baixos. A prática de coolhunting que desenvolvemos e os nossos conceitos geram-se a partir dos contactos e das práticas desenvolvidas neste país. Em paralelo, as obras escandinavas e inglesas providenciam uma visão importante, se bem que específica às tendências de consumo. Hoje, Portugal, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e algumas geografias e actores no Brasil partilham características muito semelhantes no estudo de tendências. A mobilidade de investigadores e profissionais permitiu a construção das bases de uma escola de Estudos de Tendências.

Ao trabalhar com Estudos de Tendências existem várias ferramentas a considerar e algumas são muito específicas do campo. Da análise de conteúdo e do discurso à semiótica, passando por métodos como a observação participante, as entrevistas e inquéritos, entre outras. Uma dessas ferramentas/métodos é o Coolhunting: A prática de identificar manifestações culturais inovadoras e sinais de mudança nas mentalidades e nos comportamentos. Contudo, não existe um consenso entre o papel e a própria natureza do coolhunting. William Higham indica que ainda não existe uma prática estabelecida para o processo de identificação e análise de tendências, mas que existem alguns estudos formais sobre prática e a abordagem [4]. Não obstante, o autor acrescenta que a forte mediatização permitiu uma tração do coolhunting no mainstream durante os anos de 1990 [4] e prática assim ganhou uma nova atenção internacional.

Esta visibilidade, porém, não ajudou à constituição de uma prática unificada, uma vez que cada profissional usa um processo diferente e tem uma ideia específica sobre como aplicar o método. Isto gerou uma descredibilização por más práticas que importa agora solucionar mediante o desenho de um método sólido de inspiração etnográfica e de leitura semiótica dos resultados [ver 7]. Isto ainda é mais importante, pois, tal como Henrik Vejlgaard sublinha, a prática tornou-se um pouco sobrestimada uma vez que muitas das verificações não deram lugar a tendências [1] ou não estavam ligadas às mesmas.

Não obstante, existe um importante entendimento que o coolhunting é um importante método para a identificação de movimentos e mudanças, apoiando a identificação de tendências e de insights de inovação. Isto permite – numa perspectiva académica – aplicar e integrar o método num processo e metodologia dentro dos Estudos de Tendências. Tal como Nelson Gomes, Suzana Cohen e Ana Marta Flores articulam, “com base neste enquadramento conceitual (principalmente nos contributos de ROHDE, 2011; GLOOR e COOPER, 2007; e de GLOOR et al., 2009), sugerimos  uma definição do objeto cool como a manifestação de uma tendência que se concretiza num sinal criativo, composto num primeiro nível por características atrativas e inspiradoras e com potencial de replicação social; e num segundo nível de análise pelo seu potencial de facilitar a geração de significados, a pertença (a grupos) e a vida em sociedade nas várias atividades quotidianas” [7]. Peter Gloor e Scott Cooper acrescentam que existem duas áreas específicas para a aplicação do coolhunting: a observação de mercados externos e o desenvolvimento de inovação interna [5]. Muito recentemente, com base numa extensa revisão literária, os investigadores do laboratório publicaram um artigo com uma categorização do conceito de cool onde indicam: “o cool é uma qualidade, um conjunto de características que são impressas em objectos, de artefactos a representações e gestos. Dentro da complexidade deste conceito, sublinhamos seis características. O Cool é relevante, ele faz sentido no seu momento e está em sintonia com mentalidades emergentes e com os desafios do momento com um potencial para marcar e ter impacto através de diferentes associações abstractas e sentimentais. Ele é viral e isto é uma das suas principais características, pois ele está associado ao contágio e à promessa de sucesso de propagação das ideias que representa, saltando de objeto em objeto. O Cool é atual, no sentido em que endereça questões prementes, mas também irreverente, pois apesar de ter em si um germe provocador e atrevido, a sua aparência de novidade e muitas vezes de vanguardismo pode se articular, em alguns casos, com uma atitude de rebeldia, de não-conformidade ou até de resistência. Por fim, Por ter em seu ADN a sedução e o apelo à atenção, o Cool é instigante e contém em si uma proposta de descontinuidade, podendo em alguns casos representar uma ruptura dos padrões vigentes”.

À parte destes métodos, existem objectivos e processos específicos que se desenvolveram no âmbito dos Estudos de Tendências. O Trendspotting e o Trendwatching são a base para a identificação e a monitorização, respectivamente, de tendências socioculturais. É aqui que tem lugar o principal exercício de análise de tendências. Da recolha de dados ao desenho da arquitectura de uma tendência sociocultural. Outra importante articulação é a Comunicação de Tendências que estuda os modos de disseminação do estudo de tendências, e dos resultados da prática científica associada para os grandes públicos.

A análise de tendências identifica mudanças, movimentos, comportamentos e objectos que providenciam insights importantes para uma gestão (estratégica) da cultura, ou seja, uma abordagem de análise cultural com impacto nível estratégico de uma instituição [8]. Tal como Nelson Gomes indica, “ao contrário de uma abordagem tradicional sobre a gestão cultural que aplica princípios de gestão no âmbito de entidades e projetos no sector cultural; aqui tomamos partido de resultados da análise crítica e interpretativa que surgem dos Estudos de Cultura, para gerar informação útil num processo estratégico, ao nível do marketing, do branding, da comunicação estratégica e da própria estratégia empresarial” [8]. Esta análise da cultura com objectivos aplicados representa um novo potencial de aplicação do estudo da cultura que contribui para uma maior consciência e desenvolvimento com base num quadro sólido de movimentos culturais. “Partindo do trabalho de Douglas Holt e Douglas Cameron no âmbito dos conceitos de branding cultural e de estratégia cultural (HOLT, 2004; HOLT e CAMERON, 2010), exploramos as ligações entre estas propostas e os conceitos de chief culture officer (CCO) de Grant McCracken (2011) e de marketing tribal de Bernard Cova e Véronique Cova (2002), em articulação com outros autores e com os desenvolvimentos deste quadro a nível da cultura de consumo” [8].

Important References for the study of Trends and Culture Management:

[1] VEJLGAARD, Henrik (2008). Anatomy of a Trend. New York: McGraw-Hill.

[2] RAYMOND, Martin (2010). The Trend Forecaster´s Handbook. London: Laurence King.

[3] DRAGT, Els (2017). How to Research Trends. Amsterdam: Bis Publishers.

[4] HIGHAM, William (2009). The Next Big Thing. London: Kogan Page.

[5] GLOOR, Peter e Scott Cooper (2007). Coolhunting: Chasing down the next big thing. New York: Amacom.

[6] GLADWELL, Malcolm (2006). The Tipping Point: How little things can make a big difference. New York: Little Brown.

[7] GOMES, Nelson; Cohen, Suzana; Flores, Ana Marta (2018). “Estudos de Tendências: Contributo para uma abordagem de análise e gestão da cultura”. Moda Palavra, V.11, N.22.

[8] GOMES, Nelson P. (2019). Gestão da cultura: estratégia e articulações no âmbito do branding e das tribos urbanas. E-revista Logo, V. 8, nº2.

[9] HOLT, D. How Brands Become Icons: The Principles of Cultural Branding. Boston: Harvard Business School Press, 2004.

[10] HOLT, D.; CAMERON, D. Cultural Strategy: using innovative ideologies to build breakthrough brands. Oxford: Oxford University Press, 2010.

[11] COVA, B.; COVA, V. Tribal Marketing: The tribalization of society and its impact on the conduct of marketing. European Journal of Marketing, special issue on Societal Marketing in 2002 and Beyond, 2002.

[12] MCCRACKEN, G. Chief Culture Oicer – How to create a living, breathing corporation. New York: Basic Books, 2011 [2009].

[13] SCHROEDER, J. Corporate branding in perspective: a typology. European Journal of Marketing, v. 51, nº 9/10, pp.1522-1529, 2017

2020 // Socio-cultural Trends: A Map of Micro and Micro Trends 2020 (coming soon in English)
Our most important output of applied research in terms of a sociocultural map of emerging developing trends. A major research project with both a pedagogical and scientific nature that involves closely both MA and PhD candidates/students.

2020 // Tendências Socioculturais: Um Mapa de Macro e Micro Tendências 2020
Este é o nosso resultado mais importante de pesquisa aplicada em termos de um mapa sociocultural de tendências emergentes e em desenvolvimento. Um grande projeto de pesquisa de natureza pedagógica e científica que envolve de perto os estudantes de mestrado e de doutoramento.

2020 // “Positive Reactions to the Coronavirus: A Digital Coolhunting Report”
Underlining the purpose motto for this work – “it is also important to see how people, institutions and brands are reacting positively and creatively to the coronavirus” – we have been working around the clock to prepare this research. It is a digital coolhunting report that maps creative signals that respond to this crisis in several categories and the patterns emerging between them. We hope to contribute, and we want this work to be updated in Real Time, as we continue our analysis. So stay safe.

a.Peer Reviewed Papers from our Researchers

GOMES, N. (2020). “A Análise Cultural e o Estudo de Tendências na Comunicação e Gestão de Marcas: Estudo de caso publicitário em contexto semiótico” in International Journal of Marketing, Communication and New Media, Special Issue 7 – QRMCNM, pp. 56-79.

GOMES, Nelson P. (2019). “Gestão da Cultura: estratégia e articulações no âmbito do branding e das tribos urbanas” in e-Revista Logo, v.8, nº2, pp. 25-47.

CANTÚ, William, Clarissa A. Lopes, Nelson P. Gomes and Gilberto S. Prado (2019). “The Gaze of Culture and Communication: Strategic Analysis of Consumption and Trends” in E. Duarte (Ed.) Design Doctoral Conference’19: TRANSformation. Proceedings of the DDC 6th Conference. Lisboa: Edições IADE.

Gomes, Nelson P., Suzana Cohen, Ana Marta Flores (2018). “Estudos de Tendências: contributo para uma abordagem de análise e gestão da cultura” in Moda Palavra, vol. 11, nº22.

Flores, Ana Marta (2017). “Inovação no jornalismo: uma proposta estratégica a partir dos Estudos de Tendências” in 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Curitiba.

Gomes, Nelson P. (2016). “Trends Management applied to Branding and Cultural Management” in Logo, vol 5, nº1.

Nelson P. Gomes (2015). “A Análise de Tendências e da Cultura como uma ferramenta para a Gestão de Marcas” in Logo, vol 4, nº1.

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THE TREND ARCHAEOLOGIST

(08-05-2020)

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THE COOLHUNTER

(30-04-2020)

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