// Análise Cultural: De Ouvinte a DJ da sua própria estação de rádio.
21-02-2022, Matilde Galveia
 (analista convidada/estudante de licenciatura).

Imagem do website oficial da aplicação Stationhead

A aplicação Stationhead, criada por Ryan Star, permite a qualquer pessoa criar “festas” de streaming e ganhou uma grande adesão em 2021. Depois de uma comunidade de fãs promover uma destas festas em maio de 2021 através da rede social Twitter, muitas outras seguiram o exemplo. Através de uma conta Spotify ou Apple Music, é possível ligar-se à mesma playlist que o criador da “festa” esteja a ouvir, em tempo real.

Leitura Semiótica: os sinais encontrados no site da aplicação são fotografias dos locais onde a app pode ser usada, telefone e computador, um vídeo de demonstração sobre várias funções que a app fornece, texto, um Gif de ondas de som, capas de álbuns de música e a cor branca. Uma leitura conotativa destes está relacionada com a facilidade de acesso e simplicidade de uso, o poder e controlo do conteúdo e de ações ao usar a aplicação.

Leitura do ADN cool: É relevante, pois estamos numa era de streaming, sendo esta a principal forma de consumo de música. Permite aumentar os streams de um artista de uma forma muito mais produtiva do que se cada pessoa ouvisse em playlists separadas. É viral porque após a primeira “festa” de streams organizada por uma conta de fãs que teve uma grande adesão, outras comunidades de fãs do mesmo ou de outros artistas seguiram a mesma ideia e criaram as suas. É atual, pois mesmo com a pandemia, promove um desenvolvimento das comunidades de fãs online. É irreverente, pois permite aos fãs criar estes eventos de streaming pela sua própria mão. É instigante, pois mostra uma certa decadência dos meios tradicionais de promoção de música. Propõe descontinuidade, pois levou à criação de plataformas pelos próprios artistas onde realizaram as suas “festas de streams” e podem promover os artistas sem restrições.

Estilos de vida e Tribos Urbanas: Isto é relevante perante fãs de música que estejam envolvidos em comunidades, principalmente na rede social Twitter, onde existe a disposição para organizar eventos como estes para a promoção dos artistas que apoiam. São também comunidades que não fazem uso de meios tradicionais de partilha de música, como a rádio.

Inovação e Formulação cultural: Demonstra uma passagem de poder dos meios tradicionais(rádio) para os ouvintes/consumidores. Contrasta a tradição e o moderno, onde agora qualquer pessoa tem os meios para promover qualquer artista e criar espaços de convivência para qualquer comunidade.

Insights estratégicos: É um modelo que empresas podem usar para não só promover a música do artista, mas também promover uma maior comunidade de fãs. No contexto de uma certa decadência de outros meios, as empresas podem criar as suas próprias plataformas para realizarem estes eventos, como a realizada pela empresa Bighit Music, ou utilizar a aplicação Stationhead já existente, como a rapper Megan Thee Stallion.

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Processo de análise:

Gomes, Nelson P. e William A. Cantú (2021). “Cultural Mediations Between Branding and Lifestyles: A Case Study Based Model for the Articulation of Cultural Strategies and Urban Tribes” in R. Goonetilleke et al. (eds.) Advances in Physical, Social & Occupational Ergonomics. Switzerland: Springer.

Outras referências a considerar
Gomes, N.P., C.A. Lopes, W.A. Cantú, G. Prado (2021). “Análise Estratégica de Tendências Socioculturais: uma triangulação de métodos científicos” in DAT Journal, v.6, nº1, 213-228.
Holt, D., Cameron, D. (2010): Cultural Strategy – Using Innovative Ideologies to Build Breakthrough Brands. Oxford: Oxford Press.
Dragt, E. (2018). How to Research Trends: Workbook. BIS Publishers, Amsterdam.
Rohde, C. (2011). “Serious Trendwatching”. Fontys University of Applied Sciences and Science of the Time, Tilburg.
Barthes, R. (1986). Elements of Semiology. Hill and Wand, New York.
Barthes, R.(1991). Mythologies. Noonday, New York.
Cova,B., Cova,V.(2002). “Tribal Marketing: The tribalization of society and its impact on the conduct of marketing” in Eur. J. Mark., 36(5/6), 595–620.

 


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